ENCONTRO PEDAGÓGICO - 2025
COMPONENTE CURRICULAR:
ARTE
ARTICULADOR:
VALDIRENE SOARES DE ALMEIDA PIRES
DATA: 06/05/2025
HORÁRIO:
8:00h às 11:30h (matutino)
PAUTA:
1º
MOMENTO: Acolhida/Oração (8:00 às 8:15)
2º
MOMENTO: Texto Reflexivo (8:15
às 8:30)
GAIOLAS OU ASAS?
Rubem Alves
Picasso dizia: “Eu
não procuro. Eu encontro”. Assim são os pensamentos. Eles aparecem de repente
sem ter sido procurados. Pois, de repente, sem que o procurasse, esse
pensamento me atacou: “Há escolas que são gaiolas. Há escolas que são asas”.
As gaiolas existem
para que os pássaros desaprendam a arte do vôo. Pássaros engaiolados sempre têm
um dono. Seu dono pode levá-los para onde quiser. Deixaram de ser pássaros.
Porque a essência dos pássaros é o vôo.
Asas não amam as
gaiolas. O que elas amam é o vôo. Existem para dar aos pássaros coragem para
voar. O vôo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado.
Esse pensamento
nasceu de um sofrimento: sofri conversando com professoras de segundo grau, em
escolas de periferia. O que elas contam são relatos de horror e medo.
Balbúrdia, gritaria, desrespeito, ofensas, ameaças...
Ouvindo os seus
relatos vi uma jaula cheia de tigres famintos, dentes arreganhados, garras à
mostra – e as domadoras com seus chicotes, fazendo ameaças fracas demais para a
força dos tigres... Sentir alegria ao sair da casa para ir para a escola? Ter
prazer em ensinar? Amar os alunos? O seu sonho é livrar-se de tudo aquilo. Mas
não podem. A porta de ferro que fecha os tigres é a mesma porta que as fecham
junto com os tigres.
Nos tempos da minha
infância eu tinha um prazer cruel: pegar passarinhos. Fazia minhas próprias
arapucas, punha fubá dentro e ficava escondido, esperando... O pobre passarinho
vinha, atraído pelo fubá. Ia comendo, entrava na arapuca, pisava no poleiro – e
era uma vez um passarinho voante. Cuidadosamente eu enfiava a mão na arapuca,
pegava o passarinho e o colocava dentro de uma gaiola. O pássaro se lançava
furiosamente contra os arames, batia as asas, crispava as garras, enfiava o
bico entre os vãos, na inútil tentativa de ganhar de novo o espaço, ficava
ensangüentado... Sempre me lembro com tristeza da minha crueldade infantil.
Violento, o pássaro
que luta contra os arames da gaiola? Ou violenta será a imóvel gaiola que o
prende? Violentos, os adolescentes de periferia? Ou serão as escolas que são
violentas? As escolas serão gaiolas? Me falarão sobre a necessidade das escolas
dizendo que os adolescentes de periferia precisam ser educados para melhorar de
vida. De acordo. É preciso que os adolescentes, é preciso que todos tenham uma
boa educação. Uma boa educação abre os caminhos para uma vida melhor.
O que é uma boa
educação?
O que os burocratas
pressupõem é que os alunos ganham uma boa educação se aprendem os conteúdos dos
programas oficiais. E para se testar a qualidade da educação criam-se
mecanismos, provas, avaliações, exames, testes.
Mas será mesmo?
Será que a aprendizagem dos programas oficiais se identifica com o ideal de uma
boa educação? Você sabe o que é “dígrafo”? E os usos da partícula “se”? E o
nome das enzimas que entram na digestão? E o sujeito da frase “Ouviram do
Ipiranga as margens plácidas de um povo heróico o brado retumbante”? Qual a
utilidade da palavra “mesóclise”? Pobres professoras, também engaioladas pelos
programas... São obrigadas a ensinar o que os programas mandam, sabendo que é
inútil. Bruno Bettelheim relata sua experiência com as escolas: “Fui forçado
(!) a estudar o que os professores haviam decidido o que eu deveria aprender –
e aprender à sua maneira...”
Qual é o sujeito da
educação? O sujeito da educação é o corpo. É o corpo que quer aprender para
poder viver. Esse é o único objetivo da educação: viver e viver com prazer. A
inteligência é um instrumento do corpo cuja função é ajudá-lo a viver.
Nietzsche dizia que ela, a inteligência, era “ferramenta” e “brinquedo” do
corpo. Nisso se resume o programa educacional do corpo: aprender “ferramentas”,
aprender “brinquedos”. “Ferramentas” são conhecimentos que nos permitem
resolver os problemas vitais do dia-a-dia. “Brinquedos” são todas aquelas
coisas que, não tendo nenhuma utilidade como ferramentas, dão prazer e alegria
à alma. No momento em que escrevo estou ouvindo uma sonata de Beethoven. Ela
não serve para nada. Não é ferramenta. Não serve para nada. Mas enche a minha
alma de felicidade. Nessas duas palavras, ferramentas e brinquedos, está o
resumo educação.
Ferramentas e
brinquedos não são gaiolas. São asas. Ferramentas me permitem voar pelos
caminhos do mundo. Brinquedos me permitem voar pelos caminhos da alma. Quem
está aprendendo ferramentas e brinquedos está aprendendo liberdade. Quem
aprende liberdade não fica violento. Fica alegre, vendo as asas crescerem...
Assim todo professor, ao ensinar, teria de perguntar: “Isso que vou ensinar é
ferramenta? É brinquedo?” Se não for é melhor deixar de lado.
As estatísticas
oficiais anunciam o aumento das escolas e o aumento dos alunos matriculados.
Esses dados não me dizem nada. Não me dizem se são gaiolas ou asas. Mas eu sei
que há professores que amam o vôo dos seus alunos. Há esperança.
Questões
pedagógicas
Minha prática educativa promove asas ou constrói gaiolas?
1.
Que atitudes na sala de aula refletem controle excessivo, e quais
incentivam a liberdade criativa dos estudantes?
2.
Como posso equilibrar orientação e liberdade no processo de
aprendizagem?
3.
Será que estou ensinando os estudantes a pensar por si mesmos ou apenas
a repetir o que digo?
4.
Quais estruturas da escola (currículo, avaliação, rotina) funcionam como
gaiolas e como poderiam ser transformadas em asas?
3º
MOMENTO: Experiências Exitosas (descrever a proposta deste
relato) 8:30 às 9:00h
Momento para dois
professores descreverem ações realizadas em sala de aula de Práticas exitosas na educação, atividades
desenvolvidas com objetivo de melhorar a qualidade do ensino. Elas podem
ser comprovadas quando comparadas com práticas anteriores.
4º
MOMENTO: Lanche (9:00 às 9:15)
5º
MOMENTO: Análise sobre os dados diagnósticos-Perfil da Rede
(9:15 às 10:15)
Ao planejarmos, é interessante
começar estabelecendo quais as habilidades – relacionadas ao
objeto de conhecimento “X” – a turma precisa desenvolver e quais as competências
a serem construídas. Após essa definição, desenhar as estratégias para
a aprendizagem, de modo que os alunos sejam ativos nesse processo. Por fim,
delinear os instrumentos e métodos para investigar o
progresso e as dificuldades dos estudantes, o que nos dará o
diagnóstico de como estão os alunos até aquele momento, para fazer os ajustes
ou as mudanças necessárias e para desenhar o planejamento pedagógico deste ano.
Após a coleta dos dados referentes as
avaliações diagnósticas, foi encontrada uma média percentual de desempenho de
cada turma por rede. Inicialmente, achou-se o percentual por turma, de cada
escola, em seguida somou-se todos os percentuais e dividiu-se pelo número de
turmas pesquisadas. Fazer apresentação destes dados a partir dos gráficos
elaborados.
Em seguida, dividir a turma em 4
grupos, orientá-los a apresentarem os as respostas aos questionamentos lançados
ao final da apresentação dos resultados. Essas questões são as mesmas
relacionadas nas fichas diagnósticas. Cada grupo ficará com as fichas de um ano
em mãos.
· Os estudantes
conseguem acompanhar os objetos de conhecimentos propostos naquela turma?
Quantos por cento da turma?
·
O que o aluno deveria saber, mas não sabe e implica nos resultados?
·
Quais expectativas do estudante em relação aos objetos de conhecimentos?
·
Quais habilidades você percebeu que os estudantes tiveram maior
dificuldade?
·
Qual a forma mais indicada para condução do conhecimento para que os
resultados sejam satisfatórios?
6º MOMENTO: Construção das sequências didáticas e em seguida
socialização
Nenhum comentário:
Postar um comentário